Sustentabilidade das relações interpessoais

SUSTENTABILIDADE NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

José Maria Ribeiro Júnior

Valor Agregado Consultores


O conceito de sustentabilidade foi introduzido na década de 80 por Lester Brown com o significado de prover o melhor para as pessoas e para o ambiente tanto agora como no futuro, ou seja, suprir as necessidades da geração presente sem afetar as gerações futuras. Parece claro, que neste conceito as relações entre as pessoas estão presentes e tem uma dimensão importante. A qualidade das relações interpessoais tem influência no nosso modo de vida. Quanto maior a consciência do outro, mais respeito e cuidado eu posso desenvolver com relação ao outro. Para quem duvida, basta lembrar o absurdo da Eugenia (pseudociência do bem nascido criado por Francis Galton), dos horrores do Holocausto e da brutalidade dos crimes passionais.
O relacionamento humano é de fundamental importância para o desenvolvimento da pessoa porque ajuda a formar sua identidade. Todo relacionamento humano implica numa relação afetiva uma vez que é impossível manter uma relação com outra pessoa sem ter por ela algum tipo de sentimento (MORIN, 2009). A forma como este afeto se desenvolve vai determinar como será a relação entre essas pessoas, se elas serão autênticas, confiáveis, se vai ser uma relação duradoura, efêmera.
Para Rogers (1995) a autenticidade é uma característica essencial às relações humanas positivas:
“nas minhas relações com os outros descobri, com o andar do tempo, que de nada me serviria agir como se eu fosse alguém que não sou. Não me ajuda em nada agir de uma maneira compreensiva quando procuro, no fundo de mim mesmo, manipular a outra pessoa, não compreende-la. Não me serve para nada agir com calma e de maneira agradável quando estou, na verdade, chocado e quando desaprovo alguma coisa, não me ajuda em nada agir como se eu fosse permissivo, quando tenho francamente vontade de traçar limites.”
Ser autêntico significa ser aceito como realmente se é, ou seja, assumir os pensamentos, competências, crenças, valores, limites. A partir da própria aceitação, o individuo terá condições de aceitar o outro. A possibilidade de mudança só existe a partir do momento em que o indivíduo se aceita como é. Porem, além da autenticidade, é importante saber quanto a pessoa está disposta a se mostrar ao outro.
Nos ambientes organizacionais podemos identificar três tipos básicos de relacionamento entre as pessoas: o nível da lógica (no sentido do pensar), o do sentir, e o do ser.
O nível da lógica é o nível de relacionamento que trata dos negócios, das metas, dos objetivos, dos problemas referentes ao trabalho em si. Este tipo de relacionamento ocorre na maior parte do tempo nas organizações.
Entretanto, para algumas pessoas de minha relação, além de falar sobre o trabalho em si, eu posso manifestar o que estou sentindo com relação a este trabalho, ou a uma situação especifica. É natural que uma pessoa tenha sentimentos no dia da dia de trabalho, entretanto ela não manifestará abertamente este sentimento, apenas para pessoas com as quais se sinta à vontade e tenha confiança. Portanto, a manifestação dos sentimentos não é tão aberta como no caso de conversas “lógicas” sobre o trabalho em si. Finalmente, para um grupo mais seleto ainda, a pessoa pode expressar os sentimentos e dizer por que tem este tipo de emoção; poderá falar de seus valores, princípios, crenças, filosofia de vida, e então poderá se mostrar como ela é.
Para que as relações entre as pessoas seja sustentáveis não significa dizer que todas deverão falar do “ser”, uma vez que o que determina que as relações entre as pessoas sejam sustentáveis é a dimensão do respeito e da aceitação mutua. É importante salientar que a aceitação e o respeito não significam gostar e aprovar; pode-se aceitar uma pessoa como ela é, mas desaprovar completamente seus comportamentos.
Outra questão fundamental para o desenvolvimento de relações sustentáveis é a empatia e a necessidade de aprender a conviver com diversidades.
Empatia é a capacidade de perceber emoções e pensamentos do outro. Empatia não quer dizer a avaliação fria do que o outro sente ou pensa. A empatia acontece quando sentimos uma reação emocional provocada pela emoção do outro. Significa que, se você sabe que seu amigo sente dor e ficar indiferente, isto não é empatia. Se você sentir vontade de fazer algo para ajudar seu amigo, isto é empatia. A empatia impede você de ferir os sentimentos alheios e garante que você veja as pessoas com seres humanos, com sentimentos e não como objetos de uso para satisfazer suas necessidades e desejos.
A empatia tem dois elementos principais: componente cognitivo e componente afetivo. O componente cognitivo significa a compreensão dos sentimentos do outro. O componente afetivo significa dar uma resposta emocional apropriada ao estado emocional da outra pessoa. A compaixão é um tipo de resposta empática onde, ao mesmo tempo, se responde emocionalmente à aflição do outro e se sente o desejo de aliviar seu sofrimento, ainda que não seja possível.
Diversidade significa aceitar o outro tal como ele é, e todos nós sabemos o quanto isto é difícil principalmente por questões preconceituosas, pois é muito difícil assumir que temos preconceitos. Numa pesquisa realizada por uma universidade sobre preconceito, no quesito “você tem algum preconceito?” obteve 100% de “não”. Quando perguntados se conheciam alguém que tivesse preconceito, obteve 70% de respostas positivas.
Se não bastassem os pontos citados acima, temos que levar em consideração também, o fato de como percebemos a outra pessoa. Kant dizia que nós não percebemos o mundo como ele é, mas sim como nós somos. Significa dizer que o outro é visto de várias maneiras dependendo de quem olha. O que se vê no outro depende da forma de olhar, dos interesses, das motivações, das expectativas, do que você quer ver.
Ora, quando se vê o outro, é possível observar apenas suas ações, comportamentos, que é a parte visível dos seres humanos. Entretanto nunca saberemos por que a pessoa age do jeito que age, porque faz o que faz. O que podemos fazer são apenas suposições e conjecturas a respeito do porque tal pessoa se comporta de determinada maneira. Estas suposições fazem que se crie uma imagem da pessoa que não é exatamente o que ela é. Portanto, quando estou me relacionando com o outro, estou me relacionando com a imagem que eu tenho deste outro. E o outro, por sua vez, também esta se relacionando com a imagem que ele tem de mim. Mas a confusão não para por ai. Quando eu estou me relacionando com a imagem que eu tenho do outro, eu de fato me relaciono com a auto-imagem que eu tenho de mim mesmo para com este outro. Portanto quando duas pessoas estão interagindo, de fato são seis! Às vezes, a tendência das pessoas é estereotipar a imagem que fazem do outro, e aí fica mais difícil perceber se a pessoa esta mudando.
Os conceitos da janela de Johari sobre processos de dar e receber feedback podem ajudar a exemplificar os conceitos acima.
Como já dizia Guimarães Rosa:
“O importante no mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando afinam e desafinam”.
É preciso estar atento para perceber que as pessoas não estão sempre iguais, que afinam e desafinam, em função de seus motivos, percepções, expectativas, necessidades, medos, desejos, objetivos, e nem sempre elas mesmo tem consciência disso.

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